segunda-feira, 21 de maio de 2012

50 Tons de Submissão Feminina


“Tantos sutiãs queimados e nenhuma delas se lembra” – não pude deixar de pensar quando terminei a última página do romance “erótico” Fifty Shades of Grey, primeiro livro da trilogia 50 shades, da executiva de TV inglesa FULANINHA. Diretamente saído do topo da lista de Best Sellers do The New York Times, o romance que foi concebido (e publicado online) originalmente como uma fanfiction da série Crepúsculo traz a mesma insipiência de estilo e o mesmo incomensurável vazio de espírito da série vampiresca da qual se originou.
Caro leitor, se apenas fosse esse o problema eu não estaria aqui me sujeitando a cair na grande armadilha que é a exibição e o floreio de um esnobismo literário em plena rede, onde a democracia do “broadcast yourself” não permite esse tipo de elitismo o-meu-gosto-é-melhor-que-o-seu.
Não, querido leitor, o problema não é a repetição do melodrama, do caricato herói taciturno, porém forte e supostamente charmoso, ou dos diálogos ultra-transparentes; não, o problema é que, assim como a série de Mayer, fifty shades of grey é um desfile de machismo e submissão feminina mascarado de uma épica história de amor e liberdade sexual. E por liberdade sexual se entenda que a mulher é livre para ficar de joelhos e o homem é mais livre ainda para puni-la quando sente necessário.

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